quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mulher no volante, perigo constante?

“Sim, eu estou orgulhosa.
Consegui minha Carteira Nacional de Habilitação faz umas poucas semanas e agora acho que posso dominar o mundo. Pena que ninguém acredita nisso. Fora meu pai, que é meu único entusiasta (entusiasta?) no trânsito, além do Totonho que ainda não sabe o que é isso, ninguém mais me cede o carro. As pessoas não acreditam que eu sou capaz de dirigir bem. Para ser sincera, eu também não acredito que eu dirijo bem, mas eu tento, assim como uma legião de mulheres que, como eu, conseguiu seu documento, mas ainda enfrenta a descrença de muitos homens.
Daí (e das minhas tias e primas que agora se veem como seres novos no trânsito) surgiu o CN Mulher desta semana.
Sai da frente, porque atrás vem gente. Bi-bi-bip!”


Mulher no volante, perigo constante?

Em quatro anos, número de mulheres no trânsito cresce 44%; envolvimento em acidentes é muito menor em relação aos homens
Gracieli Polak
CANOINHAS

Dois meses depois de completar 18 anos de idade, Scheila de Fátima Piechontcoski frequentou as aulas teóricas para conseguir sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e agora parte para a aprendizagem nas ruas. “Eu sempre quis ter minha carteira, porque acho muito importante poder se deslocar sem precisar depender de outras pessoas”, fala sobre a motivação para adquirir o documento tão logo a Lei permita.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando completa 18 anos, o cidadão está apto para se candidatar ao documento que permite a direção de veículos como carros e motos, mas esta não é uma informação nova. Novidade é a quantidade crescente de mulheres que buscam seu lugar em um ambiente até hoje predominantemente masculino.
De acordo com o supervisor de CNH, Jair José Kohler, um aumento da proporção de mulheres em busca da Carteira de Habilitação pode ser sentida diariamente na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Canoinhas. Kohler, que é o responsável pela aplicação do exame teórico aos alunos das autoescolas, conta que, nas salas compostas por 20 alunos, aproximadamente 12 são mulheres, enquanto apenas oito são homens – e mais jovens. “Não é uma estatística oficial, mas é o que a gente pode notar na prática aqui na região”, explica. O supervisor salienta que, à medida que aumenta o número de mulheres estudando para conseguir a documentação, a faixa etária também aumenta. “Hoje está mais fácil comprar um carro e as mulheres sentem a necessidade de ser independentes, mesmo depois de alcançar certa idade. Elas voltam para a sala de aula para fazer a carteira”, conta.
Para Leoni Paulo, secretária de uma autoescola de Canoinhas, a independência no trânsito hoje chega mais cedo. Segundo ela, há muitas mulheres com idade mais avançada buscando o documento, mas é comum ver casos como o de Scheila, que logo após completar a idade necessária, correu atrás de sua permissão para dirigir. “Quando eu fiz a minha CNH, há dez anos, as mulheres eram absolutamente minoria na sala de aula. Tinha uma proporção muito maior de homens atrás do documento, mas hoje já sentimos equilíbrio”, afirma.

CATEGORIA B

Segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran) de Santa Catarina, 2,49 milhões de pessoas possuem CNH no Estado. Deste total, 1,7 milhão pertencem aos homens, o que corresponde a 68,7% e deixa as mulheres com apenas 31,3% dos volantes, menos de 1/3 dos documentos. Até aí, predominância masculina, porque a quantidade total de condutores engloba todas as categorias previstas, inclusive C, D e E, que permitem a condução de veículos pesados, como caminhões e ônibus. É no trânsito leve, nas cidades, que as mulheres conquistam seu espaço.
Em Canoinhas, 8.580 pessoas possuem Carteira de Habilitação B, 4277 mulheres, o que corresponde a 49,8% das pessoas com permissão para dirigir exclusivamente veículos de passeio. No Estado, a proporção é equivalente: para 481,1 mil homens habilitados na categoria B, 461,6 mil mulheres nas mesmas condições. Seria um perigo constante?

SEGURO MAIS BARATO

Não, absolutamente. Uma pesquisa realizada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) revela que os homens se envolveram em mais acidentes no País, nos últimos quatro anos. De 1,5 milhão de ocorrências notificadas de 2004 a 2007, 71% foram cometidas por homens, 11% por mulheres e 18% não foram informados, porque muitos condutores saem do local da infração antes da identificação. Tais dados, além de argumentos a favor da tomada do volante pelas mulheres, trazem outros benefícios.
Segundo a corretora de seguros Gladys B. Clasen, de Canoinhas, a mulher tem vantagens na hora de segurar seu veículo, mas é um desconto que não vem de graça. “As mulheres são mais cuidadosas, respeitam mais as leis de trânsito, os limites de velocidade, e isso acaba colaborando para que sejam beneficiadas”, afirma. A corretora alerta que há pesquisas que revelam que a quantidade de mortes ocasionadas por acidentes automotivos causadas por homens ao volante é muito superior à de mulheres, o que justifica o desconto concedido para as condutoras, que pode variar de caso para caso, mas gira em torno de 10%.

PRIMEIRA HABILITAÇÃO

Para Sônia Cristina Kluska Vieira, que aos 35 anos se aventura atrás de um volante, mais que um documento, a busca pela CNH se revela uma luta. Sem nenhuma experiência no trânsito como motorista, ela se recupera de uma luta de seis anos contra o câncer e, depois de concluir a faculdade de Artes, resolveu traçar novos objetivos. “Isso aqui pra mim é uma luta. Não tenho carro, não tenho moto, mas quero aprender a dirigir. E acho que estou aprendendo bem”, se diverte, endossando ainda mais as estatísticas de crescimento no número de motoristas.
Segundo dados do Denatran, em 2008 havia 45,1 milhões de motoristas registrados no País, 14,8 milhões do sexo feminino, o que significa 33% do total. Em 2004, 10,3 milhões de mulheres estavam habilitadas no País, um crescimento de 44% em quatro anos.


Matéria que será veiculada amanhã, 26 de junho de 2009.

4 comentários:

  1. Gracii... mto boa, flor!
    serio, vc eh minha jornalista preferida!
    te amo!

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  2. Nossaa mto bom!
    Pretendo ajudar esse crescimento das mulher no trânsito logo. Meu sonho sempre foi fazer 18 anos para tirar a carteira. Agora eu fiz e me borro d medo d pegar um carro!!
    haha

    Texto maravilhoso!!
    =D

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  3. É Graci, seus voos irão muito além de Canoinhas!
    AMEIIII, vc tb é minha jornalista preferida.
    A propósito,logo logo estarei motorizada novamente, esta semana renovo a minha carteira. Após 1 ano...antes tarde do que nunca! hahaha

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  4. Não sou de Canoinhas, sou de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Entrei neste blog pesquisando no Google sobre faixa etária ao tirar a Carteira de Habilitação.
    Tenho 32 anos e ainda não obtive a minha, acreditam? Não tirei a carteira nos meus 18 porque tinha medo, e a situação financeira também não estava muito boa.
    Sou um dos poucos homens a admitir isso.

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